quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Comemorando 15 anos de carreira, Los Hermanos vão fazer shows em 11 capitais em 2012

A banda mais amada do Brasil volta a se encontrar nos palcos em 2012. Ainda no suas férias prolongadas sem prazo de término, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba irão tocar em 11 capitais, começando no Abril Pro Rock, em Recife (20 de abril), e terminando na cada deles (Rio de Janeiro), com um show na Fundição Progresso (25, 26 e 27 de maio). 


O site Omelete traz todas as datas e informações sobre os shows. Atenção para as datas de início de venda de ingressos. Se Deus quiser, dessa vez eu vou! Concha Acústica do TCA, me espere!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Fresno se afirma no bom rock com o EP Cemitério das Boas Intenções


A banda Fresno liberou para download gratuito um novo EP. Intitulado Cemitério das Boas Intenções, as novas faixas ratificam a nova direção da banda. Após um desvio mais pop comercial no disco Redenção (2008), produzido pelo Rick Bonnadio, eles lançaram-se de cabeça de volta ao rock no disco Revanche (2010), feito com pesados riffs de hardcore e emoções fortes.

Capa do EP

Nessa nova fase, o som ressoa mais complexo e recebe participações especiais. Da família Lima, Lucas, Amon e Moises participaram da faixa A Gente Morre Sozinho. A outra participação do EP foi o teclado de Mário Camelo.

As guitarras de Crocodilia não são de padrão radiofônico. Nem o baixo pesado. Uma canção para mexer a cabeça e o corpo quando tudo dá errado ("E não há nada após o fim / Só cinzas das melhores intenções"). Um começo cheio de boas intenções e realização eficiente.

 

A Gente Morre Sozinho é um rock crescente e sufocado pela pressão do mundo atual ("Verdade / Quem é capaz de conviver com ela? / ... / A gente morre sozinho"). A canção de seis minutos e sem refrão poderia estar tanto em um disco do Muse quanto da Pitty.

 

Não Vou Mais é a canção de amor inédita ("Quantas vezes esperei até a música acabar / Pra perceber o que eu acabei de cantar"). Não que seja menos roqueira. Junta o lado romântico da banda (tão querido por seu público) com o peso reconquistado no disco Revanche. Emo é isso. E é muito bom.

 

Relato De Um Homem de Bom Coração já tinha sido gravada em Revanche. Mesmo acústica, continua a sonoridade densa do EP. Uma das faixas de destaque do último disco de estúdio da Fresno, ela começa de forma honesta: "Eu procurei /Jurei que não iria mais falar de mim / Porque eu achei que eu tinha outras historias pra contar... não". Bela faixa.

  

O download do EP pode ser feito na página do Facebook da banda. Basta "curtir" a página e fazer o download.

Kings Of Convenience fez show no Rio através do crowdfunding


Dias atrás, o duo norueguês Kings Of Convenience fez um show aqui no Brasil. O show do Circo Voador (RJ) aconteceu no dia 10 e foi realizado através do crowdfunding. Esse é o nome dado para os projetos que têm a intenção de realizar shows internacionais (ou nacionais) mobilizando os fãs.


Funciona assim: (nesse caso estamos falando do crowdfunding do grupo Queremos, mas não difere quase nada dos outros grupos) é colocado a venda ingressos por R$ 200,00 (no caso do KOC, foram 340 ingressos). Se forem vendidos, o show acontece. Caso não aconteça, todos recebem seu dinheiro de volta. Vendidos esses ingressos e com o show confirmado, um segundo lote com ingressos mais baratos é disponibilizado. Se for vendido uma determinada quantidade, as pessoas que compraram os ingressos mais caros podem receber seu dinheiro de volta. Empresas privadas podem participar da compra das cotas de R$ 200,00, mas limitados a 50% do total.


É não mínimo empolgante viver em uma época na qual os fãs vão a luta e tornam possível acontecer os shows que desejam. Só o Queremos já realizou shows do The Kills, Belle and Sebastian, The National, Vampire Weekend e do Paralamas do Sucesso tocando o disco Selvagem?.


Para celebrar isso, veja o final do show do KOC. Eles tocaram e cantaram sobre a base eletrônica que o Velferd fez para Rule My World, canção do terceiro disco do duo, Declaration of Dependence (2009).

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ana Carolina - Problemas

Com a ajuda do Kassin e outros produtores, Ana Carolina tinha apresentado uma melhora no disco N9ve. Suas canções soaram cansadas em alguns momentos do duplo Dois Quartos e as novas parcerias trouxeram um pouco da energia perdida. 


Problemas, faixa bônus de estúdio do disco Ensaio de Cores - Ao Vivo (mais um ao vivo...), é um deslize claro. A canção é uma clássica balada da Ana para trilha sonora de novela, e já está na de Fina Estampa. Sem nada especial, tem perfil de sucesso esquecível (falando nisso em sucesso esquecível, já assistiu Noite de Ano Novo? Não? Não perde muita coisa mesmo...).


A produção do Alê Siqueira reforça o mais-do-mesmo da composição assinada pela Ana Carolina com o Dudu Falcão e Chiara Civello. O clipe não é nenhum primor, mas a cantora teve a coragem de fazer algo para seu público gay. Nada muito ousado, mas já não era sem tempo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Criolo - O rapper (en)canta em Freguês da Meia Noite



Um dos grandes vencedores do VMB 2011 (levou para a casa o troféu de Artista do Ano e Videoclipe do Ano), o rapper Criolo continua trabalhando Nó Na Orelha (2011), seu segundo disco. Sem dúvida um dos melhores discos do ano, Nó na Orelha é indicado até para quem não curte hip hop. Em parte porque as canções têm tamanha qualidade que sua apreciação prescinde de opiniões  pessoais sobre estilos musicais. Por outro lado, Criolo se arrisca a cantar em vários momentos, como em Não Existe Amor em SP e Bogotá.

 
Outra faixa cantada é Freguês da Meia Noite, escolhida segunda música de trabalho. Criolo mergulha no mundo da música brega sem preconceitos para contar uma trágica história de amor. O clipe tem estética e argumento de filme noir. Filmado em preto e branco, tem a sedutora mulher misteriosa e homem preso pelo seu perigoso encanto. A dupla Arthur Rosa França e Samuel Malbon dirigiu.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Roberta Sá mostra sua Segunda Pele em Pavilhão de Espelhos

Tô aqui só pra saber que existe saudade / Ainda bem”.

Seu último disco, Quando o Canto é Reza (2010), Roberta Sá montou um repertório que era todo em homenagem ao baiano Roque Ferreira. Voltando a programação normal, Segunda Pele, tem repertório feito com canções colhidas de vários grandes compositores brasileiro. E estrangeiro. O Jorge Drexler, espetacular compositor e cantor uruguaio, presenteou Roberta com a canção Esquirlas. Ele também gravou vocais na canção.

Dos artistas brasileiros, ele gravou velhos conhecidos com Lula Queiroga, Pedro Luís (com quem é casada) e Morelo Veloso. João Cavalcanti, vocalista da banda de samba Casuarina e filho do Lenine, é uma recente adição ao repertório da cantora potiguar.




A primeira música de trabalho chama-se Pavilhão de Espelhos, composição do Lula Queiroga e Yuri Queiroga. Como as ondas da praia que serviu de locação para o clipe, (como sempre) a voz da Roberta é puro frescor. A faixa é um Mpb-Pop leve e sinicero. A elegância característica do seu trabalho, continua. A produção do disco é do fiel parceiro Rodrigo Campello.

Sabe como ela chegou a essa música? O Lula Queiroga havia contado para a Roberta que escreveu uma canção para ela. Quando estava montando o repertório do disco, ela falou com o Lula, mas ele tinha dado a música para outra cantora. Entretanto, tinha uma inédita que foi escrita para a Monique Kessous. E ela foi para nas mãos (e no cd) da Roberta.

Segunda Pele vai ser lançado em janeiro de 2012 com a ajuda do Natura Musical. Você pode baixar a música legalmente na página do Facebook do projeto.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Lady Gaga e a realidade em Marry The Night

Ela não deixa o hype em torno do disco Born This Way (2011) desandar. Já seu quinto single (os anteriores foram a faixa título, Judas, The Edge Of Glory e You And I), Marry The Night é a estréia da mother monster como diretora. Seguindo a escola Michael Jackson de clipografia, o novo vídeo tem mais de 13 minutos, e é baseado em uma experiência real da vida da cantora.
Ela sofreu um grande baque quando foi dispensada da sua primeira gravadora. Foi até internada devido a esse acontecimento traumático. Mas ela não desistiu, deu a volta por cima e você sabe o que aconteceu, né?


O clipe começa com um discurso desconcertante: "Quando eu olho para o meu passado, não é que eu não queria ver as coisas exatamente como elas aconteceram, eu apenas prefiro lembrar de uma forma artística. E, verdadeiramente, a mentira toda é muito mais honesta porque eu a inventei". Soa artístico e instigante, inicialmente, mas soa covarde quando bem avaliado.

Ao contrário de todos nós, Gaga parece acreditar que ela pode manipular tudo para ficar mais confortável para ela. Ela continua afirmando que seu passado é como uma pintura e que ela deve preencher todos os buracos feios e tornar bonito de novo. “Eu odeio realidade”. Uma cantora que faz um disco para acalentar seus fãs dizendo que a alienação e negação são as saídas para enfrentar os problemas? Como se a fama e o dinheiro a libertassem de viver no mundo real como todos nós. Soa-me meio Michael Jackson e, por isso, me assusta muito.

Gaga está numa maca. Ela meticulosamente explica que as enfermeiras estão vestidas com Calvin Klein e usam verde porque essa cor vai ser importante para a moda em breve. Essa parte é divertida e mostra como a criação artística de um vídeo vai muito além do roteiro. Preste atenção à cena de Gaga conversando com a enfermeira e dando uma bela interpretação.

Depois de um momento Cisne Negro-encontra-Alien, vemos a cena onde Gaga recebe a ligação com a mensagem de sua desconexão com a gravadora. Ela surta, se suja com uns snacks que representam, provavelmente, as drogas que ela usava na época (como cocaína) e pinta o cabelo. E decide voltar à luta.

Depois de um prelúdio muito bem arquitetado, o momento musical chega e decepciona. Tanto cuidado na parte anterior e nessa só vemos Gaga dançando? Na rua, no momento da revelação da persona Lady Gaga; no ensaio do grupo de dança; e na rua novamente, mas dessa vez, não sozinha, nem como mais uma. Como a figura principal. E já com as informações de sua futura gravadora escrita na mão.
Então ela dançou seu caminho ao topo? Foi apenas isso que aconteceu entre o surto e The Fame (2008), disco de estréia de Gaga? Não. Muita coisa aconteceu. Parte até é mostrado em rápidos flashes perto do fim do clipe. Mas essa parte (a que realmente importa) não é mostrada. Apenas a queda e depois a fênix já renascida são vistas. Sempre dentro do personagem que é Lady Gaga (por mais que ela diga que Gaga e Stephanie Germanotta são a mesma pessoa, Stephanie não tinha o luxo de poder viver a vida como Gaga vive), ela quer ser vista cinematográficamente.

Tudo é bonito, calculado, intenso, catártico. Todo dor é prazerosa (uma forma de auto-piedade), cada movimento é elegante (mesmo que falsa elegância como o cigarro que ele fingi fumar - ela confessou para a Rolling Stone que não fuma de verdade).A vida não é assim. Na vida real, você tem que se dedicar, você hesita, falha, nem sempre consegue o que deseja. Gaga, não. Ela sempre está pronta. Por isso nunca pode sair como roupa normal. Ela sempre oferece um show, sempre está preparada para isso.

Qual a intenção de Gaga? Tornar sua vida mais artística como uma forma de exploração do conceito de realidade ou fingir que foi algo mais interessante do que aconteceu? Na primeira escolha, teremos uma artista ousada e corajosa, brincando com conceitos que o diretor Luis Buñuel admirava. Na segunda, uma artista que quer inspirar os outros, mas não aceita sua humanidade (fragilidade, fraquezas). Isso a torna distante das pessoas que ela pretende comover.
O clipe pretende contar uma história autobiográfica. Segundo Gaga, tudo aconteceu, mas é sua versão da realidade, então cabe a nós decidir no que achamos que foi real e no que não foi! Dã! Resumo: ela disse que ela inventou uma história baseada em uma experiência real. Mas como é da vida dela, o que ela inventou também é real! Sério?

Para saber mais sobre o clipe, a Mari Moon fez uma análise do clipe (cena a cena) no seu blog.

Verdade seja dita, só Lady Gaga consegue levantar tantas questões com um clipe pop. Mesmo vacilante em alguns momentos e conceitos, ela entrega algo digno de nota e bonito.
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