sábado, 12 de novembro de 2011

Dica de cinema: NÃO assista Amanhã Nunca Mais


Sou um grande defensor do cinema nacional, mas tenho que admitir que Amanhã Nunca Mais, estréia do diretor Tadeu Jungle e estrelado pelo grande Lázaro Ramos, é um filme muito ruim.

O sofrível roteiro conta história de um tenso médico anestesiologista em crise no casamento e que precisa levar a tempo o bolo de aniversário da filha para casa. Para isso, ele abandona a cirurgia que participava (no meio da cirurgia!), atropela um motoboy e não presta os cuidados necessários, mas nunca impõe o que pensa e escolhe sempre as coisas que claramente vão atrapalhar sua vida. Mas no roteiro, ele é quase uma vítima do universo, vivendo sob muita pressão, como se não houvesse escolha.

O roteiro maniqueísta irrita muito e o diretor parece querer sempre incomodar. Tudo é muito feio, sujo, mal iluminado, com personagens absurdamente irritantes sempre no caminho do médico. Close de pessoas muito gordas na praia, close nas celulites das mulheres, close de rosto tão próximos que torna os poros da pele, que mal são percebidos na vida real, em crateras da superfície lunar. Nada é belo, nem carinho, nem aconchegante. Até coisas chatas na vida real, com o trânsito sempre parado, parecem mais estressante no filme.

Ainda assim, o elenco (Ramos, Fernanda Machado, Milhem Cortaz) consegue tirar leita de pedra e oferece boas interpretações.

Você espera uma catarse que não acontece. A resolução final é inacreditável. Que tipo de mensagem eles queriam passar? Não faça por merecer? Com certeza, esse é o filme mais irritante do ano. Pretensioso, condescendente e não desperta empatia com os personagens ou com o roteiro completamente inverossímil.

Nota: prefiro nem comentar...


Dica de cinema: Jardim De Folhas Sagradas


Após vários filmes sobre espiritismo (Chico Xavier, As Mães de Chico Xavier, Nosso Lar), o cinema nacional aborda a temática do candomblé em Jardim das Folhas Sagradas.

Bonfim (Antônio Godi) é bancário, casado e leva uma vida tranqüila. Sua mãe foi uma importante mãe de santo e caberia a Bonfim tomar seu lugar depois da morte dela. Ele não o fez, muito por discordar de algumas coisas do cerimonial religioso do candomblé, como o sacrifício de animais. Ele acredita no poder das folhas, que podem ser usadas sem levar a morte sua fonte progenitora.



Ele mantém um relacionamento secreto com Castro (João Miguel), companheiro de trabalho no banco. Depois de um trágico acidente, Bonfim decide mudar o rumo de sua vida. Separa-se da esposa evangélica e resolve assumir sua missão religiosa em um terreiro com uma visão diferente de trabalho.


O filme do diretor Pola Ribeiro agrada ao se mostrar corajoso ao abordar temas espinhosos sem levantar bandeira, mas não se priva de expor uma opinião. Fala sobre uso de maconha, a bissexualidade de Bonfim (que começa o filme casado com uma mulher e tendo um caso com um homem e depois inicia um romance com outra mulher) é exposta sem alarde, sem ser o que defini o personagem. Elas coisas trazem mais peso ao desenvolvimento dos personagens que não se limitam aos estereótipos.


O filme discute a intolerância religiosa, preconceito racial e religiosa, a perseguição que a religião sofre dos evangélicos e o confronto entre a mudança e o que já está estabelecido nas religiões. As cenas nas quais os orixás são vistos são tão impactantes (e assustadoras) que deveriam ter sido mais exploradas. Quem sabe um próximo filme não faça isso (fica a dica diretores baianos!).


Com uma temática tão singular e brasileira, o filme brilha ao tratar de temas poucos explorados na cena áudio-visual brasileira. As filmagens aconteceram aqui em Salvador e com elenco (essencialmente) baiano. A resposta do público da sessão que vi foi muito boa. O filme ganhou até aplausos. E verdade seja dita, ele merece.

Nota: 8,0


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A Pele Que Habito, o retorno da parceria de Almodóvar com Bandeiras

A parceria de Pedro Almodóvar e Antônio Banderas rendeu clássicos como Ata-me (1990) e Mulheres À Beira de Um Ataque de Nervos (1988). Depois de 22 anos, eles estão juntos novamente em A Pele Que Habito.

O médico Robert Ledgard (Bandeiras) mantem uma mulher presa em um quarto de sua mansão. Ele realiza pesquisas para criar uma pele artificial para ser usada nela. A relação entre eles é misteriosa. Marisa Paredes interpreta a governanda da casa e também guarda seus segredos. Revelar mais seria te privar das muitas surpresas e reviravoltas da trama.

O que posso adiantar é que esse é um Almodóvar diferente. A marca do genial diretor espanhol é clara, mas seu cinema está em transformação. O clima é tenso, mas há leveza. A história é inverossímel (em um filme do Pedro isso não é uma crítica), mas perto de outros trabalhos, é quase crível, simples e direta.

Marisa Paredes e Roberto Álamo falando português é sofrível, mas a garota Ana Mena cantando em um português quase perfeito ameniza isso. O que fica é a homenagem e carinho do cineasta para o Brasil. Outro destaque da trilha sonora é a versão do Chris Garneau para Between the Bars, música do Elliott Smith regravada por Garneau no seu disco de estréia, Music for Tourists (2006).

Se afastando do peso esmagador de fimes como Tudo Sobre Minha Mãe e Má Educação, o Almodóvar desse filme está mais próximo do visto em Abraços Partidos, mas com uma abordagem nova. Ele está renovado e inspiradissímo. E como em Ata-Me, muito sexy.

Nota: 9,0


sábado, 5 de novembro de 2011

Contágio tem grande elenco e direção em estória sobre epidemia mundial

Steven Soderbergh guiou um grande elenco em Traffic: Ninguém Sai Limpo (2000) - filme que o rendeu uma estatueta de Melhor Diretor – e volta a fazê-lo em Contágio.

Um novo vírus surge e origina uma pandemia, espalhando mortes e medo na população. Gwyneth Paltrow é a possível primeira paciente contaminada; Matt Damon, o marido que tem de cuidar dos filhos; Laurence Fishburne e Kate Winslet trabalham para o Center for Disease Control (CDC), centro responsável por mapear, tratar e prevenir doenças; Marion Cotillard é um membro da OMS, buscando a origem do vírus MEV-1.

O plot do filme parece saído de uma película de terror, mas é muito real. Aqui não há zumbis, há a lógica da epidemiologia aliada com a microbiologia para combater essa nova ameaça. Nem todo mundo fica doente, nem todos doentes morrem, mas nem por isso a situação fica menos alarmante e preocupante. Fica mais real. Na saída do cinema, vou não vai tocar nas maçanetas.

Grande filme.

Nota: 9,0


sábado, 29 de outubro de 2011

Damien Rice e Snow Patrol homenageiam U2

Damien Rice, para minha tristeza, anda sumido. Esse terceiro disco ainda é um mistério, mas o cantor folk irlandês participou do disco que a Q Magazine está organizando para celebrar os 20 anos de Achtung Baby, disco do U2 que dispensa introduções.



Rice regravou One com sua visão minimalista, de violão, piano e cordas. Damien também alterou a letra. Por exemplo, no lugar de "You act like you never had love And you want me to go without", ele canta "I act like I never had love And I want you to go without". O personagem da música não carrega a mágoa do original. Ele carrega a culpa de quem inspirou a canção.


O Snow Patrol, que esteve no Rock In Rio, ficou com Mysterious Ways. Eles também deram seu toque pessoal, não na letra, mas na sonoridade e produção mais solta e sem o cuidado do pop polido da banda - que já vinha cansando pela repetição nos últimos discos da banda. Talento, eles tem. E mostraram aqui.



O resto do disco será assim:
01. Nine Inch Nails – Zoo Station
02. U2 (Jacques Lu Cont Mix) – Even Better Than The Real Thing
03. Damien Rice – One
04. Patti Smith – Until The End Of The World
05. Garbage – Who’s Gonna Ride Your Wild Horses
06. Depeche Mode – So Cruel
07. Snow Patrol – Mysterious Ways
08. The Fray – Trying To Throw Your Arms Around The World
09. Gavin Friday – The Fly
10. The Killers – Ultraviolet (Light My Way)
11. Glasvegas – Acrobat
12. Jack White – Love Is Blindness

Agridoce - Primeiro clipe e novidades do disco

Agridoce, banda (autointitulada) de fofolk, é a dupla formada pela roqueira baiana Pitty Leone e seu guitarista, Martin Mendonça. Para gravar o disco, eles alugaram uma casa na Serra da Cantareira e foram morar lá durante a gravação do disco homônimo, que contabilizou 22 dias de imersão.

A estréia audiovisual do projeto ocorreu com Dançando, clipe dirigido pelo Otávio Sousa. Mais do que o Martin tocando violão e a Pitty no piano e cantando, o que fica do vídeo é a diversão da dupla e a cumplicidade. Depois do vídeo, a frase "O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você" fica subvertida em uma declaração de amizade.

O MTV Na Brasa foi conversar com eles durante a feitura do disco, veja abaixo.

O set list foi divulgado e traz uma cover do The Smiths (Please, Please, Please, Let Me Get What I Want). Será lançado dia 7 de novembro.

Agridoce - Agridoce (2011)

1. Embrace The Devil
2. Dançando
3. Say
4. Romeu
5. 20 Passos
6. Ne Parle Pas
7. Upside Down
8. Epilogos
9. Rainy
10. 130 Anos
11. O Porto
12. Please, Please, Please, Let Me Get What I Want

Coldplay e a saga do elefante em Paradise

O Coldplay seria um forte candidato ao prêmio clipe mais fofo do ano se esse prêmio existisse. A saga do elefante pelo seu paraíso é muito bonitinha! No final, ele encontra o que procurava e você sorrirá por isso.

Paradise tem a densidade sonora que o Brian Eno injetou na banda no disco Viva la Vida or Death and All His Friends (2008), junto a uma sonoridade mais quente e energética.

Vale também a audição de The Princes of China, com participação da cantora Rihanna.

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